NAB 2013

A transmissão de televisão evolui constantemente, resultado do avanço tecnológico e da mudança de expectativas dos consumidores. Múltiplas plataformas e dispositivos de mídia pessoais, unidos ao aumento da competição no mercado de conteúdo, estão impactando a forma como este está sendo produzido, gerenciado e distribuído. Nossa sócia Corina Engel esteve na NAB e trouxe algumas das principais discussões a respeito do novo cenário da TV.
A segunda tela tem sido um tema abordado pelas principais emissoras de televisão e portais nos últimos tempos. O termo segunda tela se refere a um dispositivo eletrônico adicional (como tablets e smartphones) que permite ao público de televisão interagir com o conteúdo que ele está consumido, como programas de TV, filmes, música ou vídeo games. Dados adicionais são exibidos em dispositivos portáteis, sincronizados com o conteúdo que está sendo assistido na televisão. Nos Jogos Olímpicos de 2012, o jornal londrino The Guardian, aproveitou a oportunidade para criar uma rede mundial de especialistas, à qual os internautas podiam acessar enquanto os jogos estavam sendo transmitidos na TV. O anúncio tinha o seguinte apelo: “Siga-os enquanto eles escrevem pelo Twitter durante os jogos para colher a energia da atividade ao vivo e compartilhe visões técnicas ou triviais”.

Conteúdo multitelas

Uma das palestras da NAB, intitulada “Como será o conteúdo da rede no futuro?” teve foco nas novas tendências que estão impactando os radiodifusores, provedores de serviços e operadoras de rede enquanto eles tentam atingir os consumidores multitelas e “Always On.”
A palestrante indiana Maitryei Krishnaswamy, da empresa de comunicação americana Verizon, afirma que o atual consumo de conteúdo é multitelas, isso não pode ser ignorado. A Verizon busca personalizar o conteúdo para celular. Por exemplo, se o usuário está indo para Dallas, oferecem alguns episódios da série Dallas.
Além disso, o consumidor atual quer a programação linear da TV no celular. De acordo com pesquisa realizada com consumidores de TV no celular nos EUA, a média seria de 60 minutos/ dia de uso. Existem algumas barreiras à transmissão de conteúdo pelo celular. Por exemplo, não é possível transmitir esportes da mesma forma que são transmitidos na TV, porque o conteúdo tem muito mais movimento e exige mais banda para que seja transmitido sem as irritantes paralisações momentâneas. “Não existe muito conteúdo de esporte no Netflix”, disse Erik Moreno, Senior VP da Fox.
O fato é que a transmissão está se tornando móvel. Fernando Bittencourt, diretor de Engenharia da TV Globo, falou sobre o uso de 1seg – tecnologia de transmissão digital de TV para aparelhos portáteis com áudio e vídeo – para a transmissão para celulares, ônibus e carros. A TV Globo pretende ter escala e audiência advinda de todas as mídias.
Clyde Smith, da Fox, falou sobre a necessidade de produção de conteúdo que seja transportável para todas as mídias. A Fox está começando a personalizar as ofertas de conteúdo de acordo com o perfil do telespectador.
Um dos principais desafios é entender as preferências do novo consumidor. É tarefa de grande complexidade acompanhar os hábitos de assistir aos conteúdos em smartphones e tablets, em razão da enorme quantidade de fabricantes e tecnologias, que são atualizadas com frequência. Os provedores de conteúdo têm dificuldade de atualizar os softwares para as versões novas dos dispositivos. Um segundo desafio apontado é a dificuldade de medir a audiência em um ambiente multitelas. Alguns produtos já estão sendo desenvolvidos pelas empresas para tentar medir a atual audiência fragmentada. Existe ainda outra dificuldade trazida pela segunda tela: a rentabilização do conteúdo. Ainda está em debate qual o melhor modelo de negócio para rentabilizar o conteúdo online.

Concorrência no mercado de TV

A concorrência no mercado de TV se modificou, porque agora todas as mídias estão competindo pela atenção do consumidor. E a produção para mídia digital é muito diferente da produção para TV. As diferenças estão na linguagem, agilidade e acuracidade da informação. Para se ter uma ideia, a produtora americana Bunim / Murray separou equipes de produção de TV e para mídias digitais, e até mesmo os prédios foram separados.
Podemos identificar um processo de democratização da produção e da distribuição. Mas nem todos os players conseguem reter a atenção do consumidor, porque o conteúdo precisa ser atrativo. O novo consumidor é fiel ao conteúdo que lhe interessa, ele não se importa tanto com a plataforma. Agora, o individual é parte da transmissão e é necessário dar ao consumidor aquilo que ele quer, quando e onde ele quiser.

Luísa Brandt
Consultora